Neste momento, após meses de movimentação, cheiro de lingüiça assada, luzes, fleches, câmeras e badalação, o 19 de outubro está melancólico, escuro. Avisto uma família de quero-queros no gramado, seu Alberi terminando de fechar o estádio, isso faz meu pensamento viajar... lá em setembro, quando traçávamos nossas metas para o campeonato vindouro, ainda motivados pela boa campanha de 2008.
Nossas reuniões sempre foram movimentadas de muita discussão, no sentido de discutir mesmo, abordar assunto adentro, debater, defender idéias, sempre pensando no bem do nosso clube, o São Luiz de IJUÍ.
O tempo passou, o final do ano foi chegando, o ar de gauchão já tomava conta de nosso espírito, veio a contratação do técnico, jogadores, profissionais. Os órgãos de imprensa já eram presença no estádio novamente.
Lembro-me bem, da dificuldade de fechar com patrocinadores, seria mais um campeonato de verba apertada. Falando em verba, já imagino o Sadi Pereira gaguejando, de olhos arregalados, falando das reais dificuldades financeiras que o clube passou e continua passando. Melhorias no estádio eram necessárias, contratações e por aí vai. Muita coisa a se fazer.
Ainda olhando para o refletor desligado, viajando no meu pensamento, penso como membro da diretoria que erramos sim, mas erramos na intenção de acertar, fizemos o que deveria ser feito com o que tínhamos. Como diz meu amigo e companheiro de diretoria, João Bevilaqua “Não é fácil fazer futebol no interior”, ah o João, o mais apaixonado, este ano até arrastar um porco para dentro do estádio ele arrastou, e pelas orelhas. Sem falar na “modelo caxiense” que protagonizou.
Já sinto a brisa da baixada, está escuro e tarde, neste momento me vêm ao pensamento, as inúmeras horas que abrimos mão de nossos negócios, nossas famílias, nosso lazer. E aí, que precisamos muito agradecer nossas esposas, sócios, filhos, funcionários e todas aquelas pessoas que “seguraram a peteca” na nossa ausência. Seja em viagens, jantares, reuniões, encontros, o São Luiz precisava de nós.
E assim, se desliga mais um campeonato gaúcho, com aquele gostinho amargo que desce na garganta, mas com a certeza de que ano que vem o Rubro vai permanecer na elite, assim como outros seletos 15 clubes. Isso é glória.
Deixo bem claro que o que escrevo, representa tão simplesmente a opinião deste Porto-alegrense, que ama Ijuí e tudo o que esta terra representa. Assim como meus colegas, amigos e diretores, assumimos o desafio, desafio que não para por aqui, muita coisa aprendi, muita coisa tenho que aprender, o que fica é a lição, os amigos que fiz e ainda aquele gostinho amargo. Ta escuro e frio, mas daqui um pouco o sol nasce, volta a esquentar. E assim como diz meu amigo Vilson Hepp, nada como um dia após o outro.
Vou me levantando, me recolhendo, sem deixar de agradecer a todos as pessoas que acreditaram no São Luiz e em nossas idéias, torcedores que apoiaram de verdade, associados, patrocinadores, e a todos os profissionais remunerados ou voluntários que ajudaram a fazer o gauchão 2009.
Muito obrigado.
Rogério Hansen
Vice-presidente de marketing.










